" Angústia pode ser não ter esperança(1) na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio(2). Ou não ser o que realmente se é(3). Angústia pode ser o desamparo de estar vivo(4). Pode ser também não ter coragem de ter angústia - e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai(5)."
Clarice Lispector
O texto da Clarice Lispector trabalha contra a indiferença ontológica, contra o dogmatismo ingênuo que são abordados no texto de Gerd Bornheim. Por que ele problematiza a existência do ser, usando como base da problematização os sentimentos. Clarice nos leva a questionar a nossa essência, motivada pelas dúvidas constantes a que ela nos acomete.
(1)- Não ter esperança é se encontrar vencido pelas adversidades. Extenuado pela luta.
(2)- Não se confessar nem a si próprio é censurar-se.
(3)- Não ser o que realmente se é, é enganar-se com medo de se aceitar. É se moldar conforme as necessidades.
(4)- O desamparo de estar vivo é o temor da incerteza do amanhã e das novidades que ele nos trará.
(5)- "O que é vivo, por ser vivo, se contrai.". O medo é parte da essência humana, faz parte de todos nós. Simplismente pelo fato de estarmos vivos temos medo.
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